“O meu pincel que colore pingos e vistas da sua
imaginação, já chorou uma cor azul-avermelhada, lembrada sangue, vazio e
tristeza. É notável as figuras de linguagem escorrendo por meus dedos
onde quer que eu passa. Eu escondo, construo muros, não deixo que você
me torne crua. Que você mostre ao mundo a minha pele de quem já não
acredita no amor, mas que ri um riso bobo quando é invadida por
sinestesias compostas de poemas do Drummond. A minha arte não existe
comparada ao mexer da sua mão doce, seca, que esquece solidões, que
transforma meu coração em pedaços certo de quem quer amar. Existe
aqueles dias guardados no meu caderno de frases do ano passado-da vida
passada- da vida que eu vivi e não percebi e esses dias eu relembro
letras de músicas. lembro das partículas do seu sorriso que gritavam aos
cosmos implorando por uma fuga. Eu imploro também. Se alguém vem me
perguntar por que diabos eu quero tanto fugir de tudo eu escondo os meus
medos nos fios dos teus cabelos que moram nas minhas roupas ainda e
digo que é algo que não entendo. Mas eu entendo. Eu entendo sim e não
quero que as pessoas me compreendem porque só você saber fazer isso
direito. O céu brilha toda noite de outubro a tua compreensão de que por
eu ser tão pouco, por ser vários e causos e ideias e ” sim, você tem
sonhos nesses lábios nervosos” eu nunca consegui pertencer ao que alguns
chamam de vida. Fugir vai ser sempre um sonho. E se o destino for
tamanho imenso comparado ao universo, que ele nos engula como uma bala
doce. Ou como um caco de vidro, mas que nos leve ao mundo que a gente
tanta procura. Se viver fosse suficiente, eu agora não pintaria seus
olhos azuis de quem grita poemas inteiros apenas ao piscar, mas de quem
leva a fuga como o alívio, como eu faço. E assim, meu amor, como eu te
entendo.”
| Arcádico |

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