
“Cruzei, no meio de uma avenida
lotada, com alguém que tinha o seu perfume. Poderia jurar que você havia
passado por mim. Eu quase que consegui sentir você, ali, no meio
daquela multidão. Achei que tivesse ficando louco, desisti de seguir a
pé, entrei num Uber, mas sua presença me perseguia. No rádio, tocava
aquela música que a gente ouviu durante o nosso último beijo.
.
Parece
que, às vezes, a vida se veste de palhaço e começa a tentar fazer
graça, só que esse humor sádico é a justificativa perfeita para os
filmes de terror com esse personagem. Talvez, por isso, existam tantos
palhaços macabros no cinema. Ok, tudo bem, não é para tanto, sua
presença não me assombra assim, só estou, sendo bem sincero, tentando me
manter distante de você. Estou tentando me abster da sua presença que é
para não me apaixonar. Mais.
.
Não sei se me tornei forte ou
orgulhoso. Não consigo decidir se a minha ausência de ações rumo à
paixão, é algo baseado em amor próprio ou se é mero capricho, birra. Não
sei se sentir, mas não dizer, é certo. Mas confesso que sei que dizer e
não ser recíproco, não me faz bem. É por isso que me calo. É por isso
que sinto, sinto muito, ou acho que sinto de verdade, mas não me permito
nem seguir pensando nisso. Que dirá dizer. Gritar.
.
Acho que
coloquei meu coração no modo vibracall. Ele ainda toca, ele ainda sente,
mas ele não faz barulho. Ele não chama atenção. Ele espera só que
alguém note que o amor está ligando. Que o amor precisa de um pouco de
atenção. E sim, eu sei, sei que isso é covardia, que posso estar
perdendo uma oportunidade incrível de ser feliz ao lado de alguém que me
faça bem, mas... Dá medo, sabe?
.
Eu precisaria de muitas outras
palavras para te descrever com exatidão tudo que já vivi por causa do
amor. Todas as minhas aventuras, todas as minhas lágrimas derramadas,
por mais que os sorrisos tenham sido sinceros também, mas, sério, de
verdade, eu tenho medo. Pavor. Eu entro em pânico só de pensar que,
depois de tanto lutar para me reerguer, depois de colar cada pedaço do
meu coração, eu posso entregar ele para você brincar até enjoar e, mais
uma vez, eu recomeçar aquela mesma procissão silenciosa rumo ao
“superar”.” (Matheus Rocha)