“É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel
mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil
querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo,
de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem
promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é vida. Ou
neve, que é muda, mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem,
os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este
silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da
neve.”
| Clarice Lispector. |

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