“Desculpa se eu cheguei tarde demais. Eu andei
tentando me encontrar em qualquer palavra, para depois poder entender as
suas. Eu andei conhecendo outras constelações para te mostrar o céu que
nessa noite não chora, mas sente a nossa existência com uma dor aguda.
Eu procurei um vinho melhor para que a gente beba junto e para que sem
mais nem menos, eu sinta uma vontade inacessível de cantar Chico com
você, de fazer do nosso instante o nosso melhor dueto. Desculpa se eu te
ceguei com a minha falta de brilho, com a minha falta de jeito. Eu
sempre tentei te mostrar a real intenção da vida sobre nós, mas você
fechava os olhos como quem fecha a gaveta onde ficam as tuas melhores
poesias. Eu nunca fui a tua melhor opção para um sábado a noite, mas
sempre estive aqui no domingo por você, te esperando pra cuidar das tuas
dores, pra te fazer rir com qualquer palavra engraçada no meio de uma
sentença, porque você ri do desconhecido. Desculpa se a noite já passou,
se agora não dá mais pra ver a lua da tua janela, se o teu café amargo
esfriou, se nós já enjoamos de todas as músicas deste cd, de todas as
conversas e de todas as palavras engraçadas. Desculpa se já é o começo
da segunda, da semana, mas ainda não é o fim da nossa vida. Desculpa se
eu cheguei tarde demais e não trouxe comigo a minha melhor vida. Mas
quero que lembre que cheguei apesar de tudo, com nada, cheia de medos e
ilusões, cheia de um vazio que não preenche com você. Petit, eu cheguei.”
| Arcádico. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário