6 de agosto de 2013

Nós estamos tão ocupados, meu deus...



Nós estamos tão ocupados, meu deus, que nem vemos como as luzes do céu misturam-se. São cinco cores, notei hoje: azul escuro, azul claro, laranja avermelhado, laranja e amarelo. Mas nós nem vemos que o céu às vezes gostaria de ser notado, assim como as estrelas que caem e nem sentimos. “uma estrela pinga no meu peito” eu li algum dia desses. Estamos tão imunes à beleza da vida que ser louco, viver uma vida louca e ter a melhor bolsa de marca tornou-se prioridade. Pergunto-me aonde vamos parar quando o uniforme das pessoas que convivem comigo é lacrado pela marca hollister, ou quando a poesia fica escassa àqueles que veem o minúsculo do minúsculo ou até mesmo quando o corpo é usado como objeto e admirado como tal - porra, museus existem, eu penso. As ciganas, acreditem, sabem mais do que os escritores. As prostituas refletem a razão segundo sartre enquanto clientes, como nós, beiramos a ignorância e beijamos o fim, com a morte na saliva. Estamos tão podres e amassados pelo sistema que nossos olhos desacostumaram-se a enxergar a luz do meio-dia, as flores que morrem murchas e sozinhas, o frio que congelou mais alguém em algum lugar do planeta. Eu acho que perdi o rumo do caminho quando eu vejo que meus colegas preferem gritar enquanto eu gosto de silêncio; quando todos querem ficar e eu desejo ir embora; quando todos falam de amor e eu não quero tê-lo comigo… em mim.
Sensibilidade aqui, ainda existe?


Floresinexatas