“Ultimamente tenho precisado de tranquilidade.
De sentir o mar, e sentir que ele me sente. Mas as minhas costas doem,
doem muito, e demais. Não sei se aguentaria senti-lo quebrar às minhas
costas, ou se aproveitaria de seu desfruto, e sua leveza aliviaria toda a
minha dor ao me levar a boiar. Não sei se ele transbordaria em mim, ou
meu eu transbordaria nele. Se o ultimo fosse de fato o caso, a água
sairia mais conturbada do que quando se agita areia. Acredito que minha
paixão pelo mar vem de sua semelhança com o viver: às vezes tranquila,
como a calmaria, e às vezes agitada, como o quebrar das ondas. Sempre me
perguntei se o mar seria realmente controlado pela lua, ou por si
mesmo. Um ser tão poderoso e “seguro de si”. Talvez até nós mesmos
sejamos controlados. Será que não somos assim tão semelhantes à
imensidão oceânica? Pois para mim, vê-lo é como enxergar um espelho à
meio palmo; e senti-lo, seria exuberar em mim mesma. Mas minhas costas
ainda doem, e eu não estou no mar.”
| O quebrar das ondas em meu corpo |
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