“Talvez seja mais como você falou antes,
rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado um navio
inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo…as pessoas se
vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as
entendemos… E nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio
começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o
final é inevitável. (…) Mas ainda há um tempo entre o momento em que as
rachaduras começam a se abrir e o momento em que nos rompemos por
completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros,
porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos
dentro dos outros, através das rachaduras deles. (…) Uma vez que o navio
se rachar, a luz consegue entrar. E a luz consegue sair. ”
| John Green. Cidades de papel |
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