“Ah, se você pudesse sentir como é não conseguir
dormir sem ouvir a tua voz cansada. Você devia estar aqui pra ver, aqui
não para de chover desde que você voltou pra casa. Se meu lar for onde
houver tua respiração, vou morar na tua voz, ao menos até o final dessa
canção. No teu coração. Ah, será que você vai lembrar onde é que você
vai guardar o rascunho dessa história? Ou vai fazer fogueira pra queimar
e ver que não dá pra fechar a biblioteca da memória? Você já me
conheceu o bastante pra saber se eu sou ou não bom o bastante pra você
quando acordar e o meu nome sussurrar. Eu posso te ouvir e eu sinto como
se nós não estivéssemos a sós. Você está aqui, eu sinto que eu posso
estar em qualquer lugar. Eu sinto que eu sou o ar.”
| Lucas Silveira |
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