“Tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas alma
existe mesmo? E quem garante? E quem se importa? Apagar a luz e
mergulhar de olhos fechados no quente fundo da curva do teu ombro, tanto
frio, naufragar outra vez em tua boca, reinventar no escuro teu corpo
moço de homem apertado contra meu corpo, sem entender, sem conseguir
chorar, abandonado, apavorado, mastigando maldições, dúbios indícios,
sinistros augúrios, e amanhã não desisto: te procuro em outro corpo,
juro que um dia eu encontro. Não temos culpa, tentei. Tentamos.”
| Caio Fernando Abreu |
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