9 de agosto de 2013

Bem, hoje, escreverei sobre minha amargura...



Bem, hoje, escreverei sobre minha amargura. Amanhã - provavelmente - falarei sobre minha felicidade. Sou feito de duplo sentindo e adquiri este dom de mudar e mudar novamente. Sou incapaz de ter uma compreensão sincera de mim próprio. Poderia dizer que sou um robô: incapaz de definir seu próprio intuito de existir. É difícil ser eu. Sou incapaz de realizar tarefas das mais simples: ser. Não consigo ser o que este papel velho quer que eu seja. Já tentei ser poeta, mas poeta sofre de lonjuras e eu sofro de ser o que sou: nada. É complicado definir que você é um nada cheio de nada. O nada se torna tão opaco que se torna o tudo. Não, não pense que já não tentei ser o tudo, mas é que o tudo, é somente uma nova denominação para o nada. Raciocine. Pense. Invente. Mas sempre o nada será mais belo do que o tudo. O tudo se vai com o vento do outono, enquanto que o nada, permanece mesmo no constante frio do inverno e nas queimaduras do verão. O nada sempre preencheu-me e nunca deixou-me. Por outro lado, o tudo já foi alguém e este alguém já foi embora. O nada nos aniquila e o tudo nos mata. O nada faz com que eu sinta os batimentos amargos do existir. O nada, sou eu, revestido por tudo aquilo que já foi embora. O nada é essa estrela que acabou o brilho, mas continua preso no céu negro. O nada padece na esperança de ser o tudo de alguém.
Augusto Soares