“Acho que posso dizer que é amor, sim. Mesmo que
a gente tenha se perdido para que eu pudesse encontrar a mim mesma.
Mesmo que a gente tenha se perdido para que você pudesse buscar a si
mesmo. É amor porque eu te guardo na lembrança bonita do meu
crescimento, da descoberta do que era a co-dependência ou da fusão que
subtrai. É amor, porque cantamos juntos, dançamos juntos, choramos
juntos, fizemos amor intensamente, trocamos profundamente as angústias
da alma, torcemos um pelo outro, nos ajudamos, viajamos juntos,
gargalhamos desarvoradamente, dormimos juntos no melhor abraço um do
outro, descobrimos novas músicas, sinônimos, livros, enlouquecemos
lindamente, brigamos muito, fizemos as pazes várias vezes e fomos embora
um do outro quando nada mais era poesia. Não foi triste, mas doeu
profundamente.Uma dor resignada porque eu podia ver com clareza que já
não nos acrescentávamos nada. E aprendi a trabalhar o desapego e o
perdão. E hoje, quando vejo você sorrir, eu sinto que estamos bem e que
fizemos a coisa certa. E o amor só pode ser isto: querer que o Outro
encontre a felicidade a qualquer custo, mesmo que isso exclua você da
plenitude dele. Mesmo que isto exclua o Outro da sua plenitude.”
| Marla de Queiroz |
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