“No meio dessa mudança de estação, consigo
sentir o peso dos dias. São dias corridos, dias onde acordar se torna um
desafio. O vento se forma uma sinfonia doce e amarga para os solitários
em noites frias. Já consigo sentir a mudança que meu corpo oferece em
estado de decomposição interna, estou apodrecendo e só o que conseguem
perceber sobre minha pessoa é o quanto sou sorridente. Minhas pálpebras
estão com uma tonelada de poeira acumulada que tende manter-se exausta,
sem força alguma para olhar com olhos de gavião as ruas por onde ando.
Acham que estou doente, talvez até esteja. Injetei uma grande quantidade
de amor em mim e olha só, agora sinto enormes dores de cabeça, tenho
insonias constantes e meu coração acelerado já nem bate direito. Vomito
algumas coisas que parecem ser borboletas, elas não se mexem, acho que
estão mortas.”
| Relatos de um homem condenado a solidão |

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