“Qualquer história com final precipitado é uma
tragédia. Amores que chegam ao fim prematuramente nos deixam com aquele
sabor amargo no céu da boca, que representa, de forma sutil, a amargura
da própria vida. Não que a vida fosse amarga antes, não, pelo contrário.
A vida chegava a mostrar resquícios de felicidade, ainda que
imperceptíveis. Todavia, o ser humano possui uma incrível capacidade de
adaptação ao que lhe agrada, e somente ao que lhe agrada. Terminar um
romance e tentar retomar a vida é como passar vários dias bebendo café
adoçado e, repentinamente, deixar de dissolvar o pó branco na bebida.
Daí a amargura. Amargura esta que, exponencialmente, multiplica-se para
todos os aspectos da vida: deixamos de comer, de dormir, de sorrir, de
sonhar. E, ao contrário do que possam dizer os médicos, o que nos mata
não é a fome ou o sono. Biologicamente falando, a fome é capaz de nos
matar, sim. Mas sabemos que existem n formas de se morrer. E a mais
cruel das mortes é aquela que, apesar de permitir que nosso coração
continue batendo, impede nossa imaginação de sonhar. É esta morte que me
assusta: talvez eu já tenha morrido.”
| Escrito na madrugada de 15/08/2013. Henrique Dias |
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