“Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas
que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou
menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de
tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e
demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu
acaso, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um
músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece
fazer parte da sua biografia. (…) As coisas muito boas e as coisas muito
ruins exigem explicação. Coisas mais ou menos estão explicadas por si
mesmas. Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho
até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando
de fora. Não consigo gostar mais ou menos das pessoas, e não quero essa
condescendência comigo também.”
Martha Medeiros
Martha Medeiros
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