“Precisamos de humanidade nos olhos já que nossa
voz falha por causa do orgulho. E nossos pés andam para trás porque não
suportam o peso do mundo sobre eles. Sobre a pequeneza de quem não tem
nada a ver com a culpa. Sobre quem gritou de fome e apertou os punhos
para não sucumbir à morte. O corpo não suporta mais a leveza da poesia,
que corta as mãos e as letras escondem-se de quem não lê com o peito
ferido. Porque a vida não dá as mãos e não pede fôlego para ser vivida,
para ser sentida. E os pulmões também encolhem de solidão. Também se
tornam menores que o convencional por causa do ar que-não-respiro. É
preciso humanidade na hora de aceitar a dor porque se não fosse assim
não haveria riso e os abraços acabariam antes mesmo de começar. A
humanidade de meus olhos, que gritam sem sufocar a voz”
| Eu viro água |
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