“Eu devia ter pedido para ela ficar. Ou
insistido, implorado, ajoelhado aos pés dela e até mesmo ter aparecido
com um cartaz escrito “fica, por favor". Eu devia isso a ela,
depois tudo que a gente passou, no mínimo isso. Cara, ela me chamava de
idiota. Tem noção do que significa quando uma garota te chama de idiota?
Tu é o filha-da-puta mais sortudo do mundo. Ela deixava as
amigas do colégio de lado, desprezava vários garotos e ás vezes até
mentia, só para passar um tempinho a mais comigo. E quando se arrumava
toda, pintava o cabelo e usava aquelas parafernalhas todas no corpo, só
para chamar minha atenção? Eu nem notava. Ela me dava o mundo. E eu não
dei nem uma cidade por ela. Até aqueles apelidos bonitinhos de
relacionamento que ela usava, eu consegui desprezar. Eu vacilei legal,
não valorizei quem se entregou completamente a mim. Eu ficava com outras
garotas e mentia para ela dizendo que era única e especial. Saia para
as festas com os amigos e mandava uma mensagem de texto dizendo que
estava indo para cama. E na real estava, mas era acompanhado de outra
biscate qualquer que eu encontrava na noite. Eu fui um cretino. Isso, um cretino mesmo, pra valer.
Fiz a garota que me amava sofrer, pelo o que? Por nada. Por pura
infantilidade. Por uma ou duas noitadas, que poderiam me render uma vida
inteira ao lado de alguém que me adorava. E agora, a imagem dela
andando de costas ao meu oposto, é talvez, a minha última vista de
alguém que poderia me fazer feliz de verdade. E esse é nosso problema.
Sabe o que a gente se pergunta quando acontece uma coisa dessas? "Onde foi que eu errei?.”
| Pedro Pinheiro. |
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