Sabem tão pouco de
mim. Eu escrevo? Ah, sim, quase na mesma temporalidade em que respiro.
Caminho devagar? Tenho um probleminha no pé, olhe melhor que você
perceberá. Tenho o olhar vago? Esse é velho, já deveriam saber. Leio com
os mais gritantes barulhos? Eu gosto de histórias além da minha,
concentro-me rápido nelas para me esquecer. Não sei abrir o coração? É
falha da vida, sabe? Ela ainda não me apareceu com a chave correta. Eu
durmo pouco e não sei falar de mim? Tudo mania velha. Eu me formei faz
um tempinho na faculdade dos jeitos estranhos de ser. Agora, tem que me
aceitar assim, e entender que saber de mim sempre será pouco. Eu sempre
vou trancafiar um sentimento, segredo ou passado. Eu vivo me escondendo
até de mim. Mas posso garantir que tenho bom coração. Eu amo quem eu amo
acima das confissões nunca feitas de mim. Amo por me amarem sabendo que
pouco me conhecem.
Camila Costa
Camila Costa
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